UMA HISTÓRIA PARA LARA
Era uma vez um sábio que se vestia de branco e brincava na praia com a areia branca e caía-lhe por entre os dedos igual peneira que filtrasse o bem do mal e o mal já não existisse. Que não se visse o homem mau e a desgraça fosse habitar outra galáxia onde não houvesse ar.
Então era vez um sábio que conhecia
só palavras boas e só pintava as cores claras e não sabia das escuras.
As suas histórias eram todas boas e
ninguém sofria nos seus contos porque era proibido não ser bom.
No seu país não havia tribunais
porque todos os homens eram justos, e os sustos eram só as surpresas boas, como
uma festa imprevista e toda cheia de balões e de flores que naquele país só
havia jardins e tudo cheirava a flores e nada convidava a chorar.
Era uma vez um sábio que não
chorava apesar de dominar todos os saberes porque tinha aprendido a não chorar
e ensinava a todos este segredo.
O segredo, é que não havia segredos
e todos eram crianças para a eternidade e era proibido crescer.
Quem crescesse era expulso do seu
país.
Todos os adultos se tornaram
crianças e voltaram todos à escola.
Era uma escola que nunca acabava,
sem exames e sem formatura porque era proibido sair da escola.
Era uma vez um sábio que estava em
todas as crianças do mundo e que morreu quando uma criança dessas cresceu e
ficou adulta.
O sábio já não podia viver porque
esse adulto proibiu-lhe a vida das cores claras fechou-o numa masmorra fria e
distante e disse-lhe: "Então que morras!"
E aquele sábio que era tão bom,
começou a chorar e tinha frio.
As lágrimas fizeram um grande rio,
que virou um mar e depois um oceano e ele afogou-se assim, porque não sabia
nadar e já estava cansado e ficara muito velho.
Esta é a história dos homens e
também dos sábios que há nos homens.
Vera Bregas Thellier